O QUE SERÁ DO MUNDO SEM OS PROTESTANTES?

O pontificado de João Paulo II deixou o mundo num emaranhado ecumênico, onde todos reconhecem a "legítima" liderança católica no mundo cristão.

A igreja católica está preparada para exercer o papel que ela acha que é a sua vocação histórica: Determinar dos gabinetes do Vaticano o destino não somente do mundo cristão, mas de todo o mundo político religioso, como fez entre os anos 538 e 1798 de épocas passadas. Custou muito recuperar os prejuízos da ferida causada por Napoleão Bonaparte. A prisão e morte do papa nos idos anos de 1798 foi um golpe quase mortal que atingiu a cabeça da igreja, que ficou por mais de um século fora de seus predicados auto-conferidos, de ingestão não só nas questões religiosas, mas também na política das nações. A única nação cristã que não sofreu as interferências do Bispo de Roma, foi os Estados Unidos da América, outrora protestante.

Somente em 1929, por obra do ditador italiano Benito Mussoline, o Vaticano recuperou parte de seus poderes a começar pela independência territorial da “Santa Sé”. Logo em seguida, sem nenhuma surpresa, a igreja e seu líder Pio XII mostraram suas características históricas e fizeram vista grossa (com raríssimas exceções) ao holocausto nazista contra os judeus, inclusive os italianos. Julgado como traidor da pátria, Benito Mussoline foi enforcado e seu protegido o papa, tentou sair do episódio como quem não teve culpa de nada. A história o desmentiu.

Mesmo assim, foi arquitetado o plano de reconquista do poder pelos dirigentes papais. O Concílio Vaticano II que muitos acham que foi um grande avanço da igreja católica, foi uma peça deste plano para enganar o mundo cristão e não cristão, de que a igreja passaria por uma reforma. Mas o que o Vaticano se orgulha mesmo é de que não muda. Estavam sim, dispostos a fazer qualquer coisa pra atingir seus objetivos. Demonstraram tolerância num contexto em que não tinham nenhum poder, num mundo pós-guerra que polarizava o leste e o oeste. Não houvesse leis civis e seculares, o comunismo e seus dirigentes teriam sido derrubados ou queimados vivos pela “santa inquisição” de João Paulo II.

Agora, os caminhos estão abertos, foram 26 anos de peregrinações para apagar a imagem ditatorial dos papas da história. Desmentiu-se claramente o papa Gregório VII, que havia declarado a perfeição da igreja, que ela nunca tinha errado e nem jamais erraria; reconheceu-se os erros e foram estendidas as mãos do papa com feições de papai noel, às igrejas protestantes, aos judeus, aos muçulmanos, ao Dalai Lama e até ao turco Ali Agka. Todos aceitaram os pedidos de perdão e os perdões oferecidos.

Mas o infalível não é imortal. O mundo passou a dar-lhe maior importância ainda, agora que calou-se definitivamente. Sua obra de restaurar o status que a igreja jamais aceitou perder está acabada. Quem será o novo papa? Isto não tem a menor importância. Preocupante mesmo é um mundo sem protestantes. Não existem mais. Quem vai denunciar agora os enganos e os planos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé?

Hildo Martins da Conceição.
Leitor do livro “O Grande Conflito de Ellen Gould White”