|
O Pastor e a Saúde Francisco
Lemos - Editor
associado da revista Vida e Saúde
A atitude do pastor pode influenciar positivamente os que desejam
crescer em Cristo, ou pode manter na masmorra da indiferença os que
desprezam a mensagem de Deus para este tempo.
Por que a mensagem da reforma de saúde enfrenta alguma resistência
entre nós? Eu gostaria de ter uma resposta ampla e correta sobre essa
questão, mas não a possuo. De uma coisa estou certo: o dedo do inimigo
pode estar atrás disso. Nos primórdios de nossa Igreja foram poucos os
que compreenderam e aceitaram a relação entre a mensagem de saúde, o
desenvolvimento espiritual e a pregação do evangelho. “O Dr. John
Harvey Kellog foi um dos poucos líderes que levou a sério o conselho
da Sra. White sobre saúde.” – Mensageira do Senhor, pág. 296.
Quando Xuxa faz exercício e pratica dieta saudável, todo mundo acha
inteligente, bonito e aplaude. Mas quando um pastor ou irmão tenta
viver a mensagem de saúde entregue por Deus, por motivos bem mais
nobres do que aqueles que orientam o mundo, são rotulados como fanáticos,
extremistas e mente estreita. Se há alguma coisa errada, então devemos
tentar acertar, mas agir com indiferença nos coloca em perigo. Teoria e prática
A questão é de coerência. O mundo pensa que somos o povo da saúde,
pois fomos bem-sucedidos em projetar essa imagem. Grandes enciclopédias
nos identificam como pessoas que cuidam do corpo, que se alimentam bem e
fazem exercícios físicos (ver Enciclopédia Barsa, vol. 1, pág. 100;
Enciclopédia Britânica, vol. 1, pág. 113; Enciclopédia Mirador, vol.
2, pág. 131). Mas a verdade, entre nós, é que em geral damos pouca
importância a esse assunto.
Não devemos continuar vendendo a mensagem de saúde como mercadores de
um produto que não serve para nós mesmos. É maravilhoso o empenho de
recrutar colportores para sair de porta em porta apresentando literatura
que ensina sobre vida saudável. Mas isso é vazio, se não praticarmos
o que pretendemos ensinar. Já ouvi contar histórias de fabricantes de
cigarros que não fumam, e de vendedores de drogas que não as usam.
Eles fazem isso porque sabem que vendem coisa ruim. Por outro lado, nós
fazemos propaganda de coisa boa e damos as costas para ela. Se, no
entanto, dermos o exemplo, nos tornaremos uma bênção para a Igreja e
para o mundo.
O fato de se fazer uma conexão exagerada entre comida e salvação também
é maléfico para a igreja. “O reino de Deus não é comida nem
bebida.” Não existe nenhuma declaração ou doutrina bíblica de
salvação através da soja. Jesus não se deteve em tais questões,
como ser ou não vegetariano. Ele viveu de acordo com os princípios da
verdade, e comeu carne com os discípulos após a ressurreição. Além
do mais, a mensagem de saúde é muito mais do que comer isso ou não
comer aquilo. Envolve a vida toda: exercício físico, repouso, pureza
mental, confiança no poder de Deus, domínio próprio, vestuário e até
o alimento e a água. Adoração
racional
A mensagem de saúde é uma prova do amor de Deus por nós, e não uma
condição para ser salvo. Não seremos justificados por não comer
carne ou chocolate, por não tomar sorvete ou não beber coca-cola. A
salvação é pelo sangue de Jesus. O alimento não santifica ninguém.
Entretanto, cuidar do corpo por entender que se trata do templo do Espírito
Santo (I Cor. 6:19), sinaliza uma compreensão maior do plano de Deus
para o Seu povo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra
coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Cor. 10:31).
A época em que estamos vivendo é de degradação do corpo e da mente.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que
apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional” (Rom. 12:1). Paulo escreveu para
uma sociedade bombardeada pela filosofia grega do corpo impuro. O corpo,
diziam os gregos, não presta e é apenas o cárcere da alma. Ele deve
ser, portanto, desprezado. O cristianismo introduziu uma nova filosofia.
O corpo é o templo do Espírito Santo, um instrumento que pode ser
usado por Deus.
A verdadeira adoração, o culto racional, inclui a entrega total do
adorador ao objeto de sua adoração. Não basta um culto ricamente
elaborado e uma liturgia esteticamente perfeita. É preciso que a adoração
seja em espírito e em verdade. Aqueles que se reúnem para adorar a
Deus devem fazê-lo como resultado da adoração cotidiana, revelada
numa entrega total do ser. Desprezar a mensagem de saúde é desprezar a
vontade de Deus para o nosso bem-estar total, é desprezar uma das mais
inteligentes e poderosas formas de testemunhar que Deus nos faculta. Além
disso, há também o custo que pagamos por nossa desobediência:
obesidade, colesterol alto, arteriosclerose, estresse, sem falar na
conta da farmácia. Em algumas empresas americanas, comer doces fora de
hora é motivo para demissão por justa causa, tamanha é a
responsabilidade que as pessoas devem ter com o próprio corpo e com a
empresa.
Só testificaremos com poder, se houver coerência entre o ato de
testemunhar e a nossa atuação no mundo. Citando David J. Bosch, em uma
aula de mestrado, em 1990, no Seminário Adventista Latino-americano de
Teologia, o Dr. Juan Carlos Vieira disse: “Somente uma genuína
solidariedade dá credibilidade ao nosso martyrya (testemunho). As
pessoas nunca acreditarão no que ouvem – por mais atrativo que possa
parecer – se há contradição entre o que vêem e experimentam. Todos
os nossos esforços de renovação na área de evangelismo, a liturgia,
etc., serão fúteis a menos que algo seja feito para dar credibilidade
à qualidade de nossas vidas.” Evitando
extremos
Numa pesquisa realizada no interior de São Paulo com 258 adventistas,
quase 100% dos entrevistados (253 pessoas) concordaram que a mensagem de
saúde é uma recomendação divina, compatível com o cristianismo.
Dentre os entrevistados, 40% sentem-se culpados quando comem carne ou
bebem coca-cola, e 61% afirmaram que os adventistas que costumeiramente
comem carne não podem alcançar uma visão espiritual plena, sendo mais
suscetíveis às paixões carnais. Por outro lado, 57% acham que viver
à margem da reforma de saúde não influencia em nada o relacionamento
com Deus. Uma minoria, 4%, disse que comer carne impede a entrada no Céu,
e 2,5% acham que o pastor que come carne deveria ser dispensado do
ministério. O índice dos que adotam o regime ovolactovegetariano é de
35%; 10% são vegetarianos.
A pesquisa mostra claramente que a Igreja sabe que a mensagem de saúde
é de Deus, mas está confusa quanto à sua prática. Há extremos dos
dois lados. Há um grupo que vive no cárcere do não pode nada, e outro
para quem todas as portas do pode qualquer coisa estão sempre abertas.
Ora, se nós às vezes elegemos as churrascarias como o lugar mais
apropriado para encontros, o que se pode esperar dos liderados?
É hora de ouvirmos o que Deus tem a dizer sobre a mensagem de saúde. Há
muito deveríamos ter entendido que mordomia não é apenas cuidar das
finanças da Igreja e preocupar-se com a fidelidade dos irmãos nos dízimos
e ofertas, mas também, entre outras coisas, cuidar da saúde do corpo.
Sejamos humildes para atender ao chamado do Senhor a uma reforma em
nossa própria vida. Esse é um assunto pessoal. Deus não está
interessado numa discussão dietética. Seu maior interesse é em cada
um de nós como pessoa. Por que
Deus nos deu a mensagem de saúde •
Porque nos ama e deseja que vivamos mais tempo e com mais qualidade de
vida. •
Para sermos pessoas mais felizes e livres de doenças. •
Para servi-Lo melhor. •
Para atrair outras pessoas ao evangelho da graça e da salvação. •
Para repartir os seus benefícios com outras pessoas. •
Para termos mente mais capacitada a compreender a verdade. •
Para nos ajudar a perceber os enganos de Satanás e vencermos suas tentações. Revista Ministério – setembro/outubro 2002 Págs. 9 e 10 |