Usando o símbolo de uma mulher pura, em contraste com a mulher impura
do Capítulo 17, Cristo descreve as lutas e a perseverança da Igreja
Cristã, especialmente durante os séculos depois de Sua encarnação.
Embora o diabo se oponha a nós com grande ira, devemos lembrar-nos de
que Cristo o derrotou.
Por meio de símbolos, Apocalipse 12 desdobra a profecia que Deus fez
no Éden depois da queda.(Ver Gênesis 3:15). Aí o Senhor
fala à serpente(Satanás) a respeito de Eva- a mulher e seus descendentes(a
Igreja de Deus) e seu principal Descendente(Cristo). Haveria "inimizade"
entre os seguidores de Satanás e a Igreja. Satanás "feriria"
o calcanhar de Cristo(o Calvário), mas Cristo esmagaria finalmente a
cabeça da serpente(a destruição de Satanás e de
todos os efeitos do pecado).
Em Apocalipse 12 vemos esta profecia desenrolar-se na História. Os personagens
são os mesmos: a mulher(a Igreja); a serpente(Satanás como dragão,
"a antiga serpente",v.9); o Descendente(o "Filho varão",
vs. 5 e 13). Vemos a ira e perseguição de Satanás contra
a Igreja e seu Senhor. Além dessas agressões esperadas, devemos
dar, porém, especial destaque à intervenção de Deus
e Seus bondosos atos em favor de Seu povo. Deus jamais abandona Sua Igreja.
Ela é a "menina do Seu olho"(Zac.2:8)
"Visto que ela é apresentada como prestes a dar à luz a Cristo(versos
2, 4 e 5) e, mais tarde, como sendo perseguida depois da ascensão de
Cristo(versos 5 e 13-17), essa mulher representa a Igreja tanto do Antigo como
do Novo Testamento." SDABC vol.7, pág.807.
Assim como a Lua reflete a glória do Sol, as Escrituras refletem a glória
de Cristo.
A coroa representa a vitória espiritual e a vida eterna concedida aos
crentes no tempo presente. Estrelas, na Escritura, freqüentemente simbolizam
o fiel povo de Deus como um todo.(Ver Dan. 8:10; 12:3). O número 12 comumente
se refere às doze tribos de Israel ou aos doze apóstolos que representam
a Igreja de Cristo. Muitas vezes é usado para abranger todo o povo de
Deus que é simbolizado pelos patriarcas e apóstolos.(Comparar
S.Mat. 19:28 com I Cor. 6:2; ver também S.Tia. 1:1)
As 12 estrelas de Apocalipse 12:1 são o símbolo da totalidade
do fiel povo de Deus que está seguindo os princípios divinos dados
a Israel e à Igreja Cristã, e que permite que a luz da verdade
brilhe por seu intermédio.
No sentido primário o dragão é Satanás(verso 9).
No sentido secundário, o dragão representa os poderes terrestres
usados por Satanás para combater a Cristo.
Satanás agiu por meio do Império Romano para matar a Cristo e
atacar o evangelho e a Igreja primitiva(verso 4). Ele usou também o papado
medieval para impelir a Igreja primitiva ao deserto, onde ela foi perseguida
por 1260 anos(de 538 A.D. a 1798 A.D.) Versos 6 e 13-16. Ao nos aproximarmos
do fim do tempo, Satanás usará uma união político-religiosa
apóstata, na tentativa de destruir a Igreja cristã remanescente(Apoc.
12:17; comparar com o capítulo 17).
As mesmas 7 cabeças e dez chifres são mencionados em 3 capítulos
do Apocalipse: capítulos 12, 13 e 17. Sabemos que 5 das cabeças
do dragão se referem a reinos ou nações que haviam caído
por volta do tempo do apóstolo João(Ver Apoc. 17:10). O Antigo
Testamento expões 5 poderes que, antes do tempo de João, atacaram
e subjugaram sucessivamente o povo escolhido por Deus, procurando destruir suas
crenças religiosas. Alguns declaram que essas nações foram
o Egito, a Assíria, Babilônia, Média-Pérsia e Grécia.
A Sexta cabeça é considerada o poder político que existia
no tempo do apóstolo João- o Império Romano. A sétima
cabeça seria, portanto, o poder mundial mais significativo que se seguiu
ao Império Romano: o Papado Medieval.
Ao passo que as 7 cabeças são representadas por poderes mundiais
sucessivos, os chifres representam poderes que existem simultaneamente(Ver Apoc.
17:12-14, e Dan. 7:7, 20 e 24). Devido à óbvia relação
entre Apocalipse 12, 13 e 17, e Daniel 2 e 7, podemos dizer que os dez chifres
representam as partes em que finalmente foi dividido o Império Romano.
Essas partes tornaram-se Estados soberanos, os quais no fim do tempo desempenham
importante papel em apoiar a Babilônia antitípica, "até
que se cumpram as palavras de Deus"(Apoc. 17:17).
O violento ataque contra a mulher durante "um tempo, tempos e metade de
um tempo"(Apoc. 12:14) relembra a perseguição do povo de
Deus pelo poder papal , segundo foi predito em Daniel 7:25. Apocalipse retrata,
portanto, o grande dragão vermelho atuandopor meio de sua cabeça
papal para destruir os fiéis.
O período de dominação papal é mencionado 7 vezes
nos livros de Daniel e Apocalipse; e destas 3 maneiras:
1.Apoc. 11:3; 12:6 1260dias =1260dias
2.Apoc. 11:2; 13:5 42meses x 30dias =1260 dias
3.Daniel 7:25; 12:;7 3 tempos e meio
Apoc. 12:14 (ou 3 anos e meio) =1260dias
De acordo com o princípio de que na profecia simbólica um dia
repesenta um ano literal, é evidente que esse importante período
se estendeu por 1260 anos(de 538 A.D. a 1798 A.D.).
A Terra ajudou a mulher, abrindo a boca e tragando o rio. A reforma do século
XVI começou a sua obra...E em breve houve suficiente terreno protestante
na Europa e no Novo Mundo para engolir o rio da fúria papal e tirar-lhe
o poder de danificar a Igreja. A Terra ajudou assim a mulher, e tem continuado
a ajudá-la até hoje, nutrindo o espírito da Reforma e de
liberdade religiosa pelas principais nações da cristandade.