VINTE ANOS MAIS TARDE |
Passaram-se quase duas décadas desde que preparamos
o manuscrito para este livro. Os anos 70, quando este livro foi coligido(1),
foram um tempos controverso para a Igreja Adventista do 7° Dia. Tratou-se
de um tempo em que uma igreja confusa e irresoluta(2)
se deixou envolver por uma nova teologia. Havia muitos a reagir contra os princípios
legalistas e, assim, esta nova teologia encontrou um terreno fértil nos
seus corações e vidas. Tragicamente, muitos dos que se depararam
com a impotência do legalismo, foram levados a aceitar uma teologia baseada
no antinomianismo(3) - uma teologia falsa
que declara que não existem condições divinas para a salvação.
Esta falsidade leva a crença de que não existem condições
para a existência de um cristão vitorioso vivo e que possa ser
salvo. Concebeu, ainda, o conceito de que a santificação não
tem qualquer intervenção direta na qualificação
de homens e mulheres para a salvação. Mas esta nova teologia era
tão mortal para a salvação como o tinha sido o legalismo
e miríades de pessoas foram apanhadas nas suas garras.
Este livro foi lido por milhares de Adventistas do 7° Dia e provou ser uma
grande benção para muitos dos que eram dirigidos por esta doutrina
nefasta(4) e que tão habilmente
foi apresentada nesse tempo. Mas nos anos que se seguiram, Satanás apurou
este seu engano. E de todas às vezes, mais pessoas eram arrastadas para
a sua rede. Este livro é agora mais relevante do que quando foi escrito
pela primeira vez. Por isso, decidimos não alterar o seu conteúdo,
pois tal conteúdo responde aos desafios lançados pelos escritos
do Pastor Jack Sequeira em livros como: A Dinâmica do Evangelho Eterno
e Para Além da Crença. Estes desafios foram lançados
à preciosa mensagem de Cristo, Justiça nossa, e foram apresentados
em mensagens dadas em 1888 na Conferência Geral de Minneapolis. Estas
mensagens serviriam para nos proteger, por um lado, do legalismo e, por outro,
do antinomianismo.
Infelizmente, as mensagens apresentadas por Jack Sequeira e pelo Comitê
de Estudos de 1888, apesar de serem bem intencionadas, não representavam
as mensagens apresentadas e confirmadas pela Irmã White. O Pastor Sequeira
e as pessoas que compunham o Comitê de Estudos de 1888 declaravam, entre
outras coisas, que:
1. Toda a raça humana fora salva (justificada) dois
mil anos antes no Calvário (Jack Sequeira, Para Além da Crença,
Pacific Press Publising Association, 1993, p.8).
As Escrituras dizem que nós somos justificados pela fé.
Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 5:1
2. Esta santificação não contribui para
nos qualificar para o céu (Jack Sequeira, op. cit., p. 36).
Mas a Bíblia declara,
Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido, desde o princípio, para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade. 2 Tessalonicenses 2:13
3. O único meio que fará com que não sejamos
justificados é o fato de rejeitarmos essa justificação
persistente e voluntariamente (Jack Sequeira, op. cit., p. 8).
As Escrituras declaram claramente que perdemos o direito a nossa justificação
por simples negligência.
Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois confirmada pelos que a ouviram. Hebreus 2: 3
4. Existem duas espécies de justificação:
a) A justificação forense (legal, judicial ou temporária);
b) E a justificação pela fé.
A inspiração detalha apenas um tipo de justificação e essa é a justificação pela fé. Não existe justiça (que é o que significa a palavra justificação) sem fé.
Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 5:1
Pelo que pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vos, é dom de Deus. Efésios 2:8 5.
A essência da salvação é o chamado
motivo em Cristo. Este conceito separa o aspecto da salvação em
Cristo do aspecto Cristo em nós. Este será outro meio para apoiar
a justificação sem salvação. O próprio Cristo
relacionou estes dois aspectos.
Quem come a minha carne, e bebe o meu sangue, permanece
em mim, e eu nele. João 6:56
O Espírito de verdade, que o
mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas
vós o conheceis, porque habita convosco, e estará entre vós....
Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em
vós.
João 14:17, 20
Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. João 15:4
6. Estar em Cristo não envolve transformação de vida, quando a Escritura o afirma tão claramente. Jack Sequeira diz que:
"Deus justificou legalmente toda a humanidade em Cristo" (Op. cit., p.34).
Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Romanos 8, ênfase acrescentada
A Bíblia diz:
7. Não deixamos de ser justificados, nem seremos condenados quando pecamos. Jack Sequeira diz:
"O fato de pecarmos ou de deixarmos de estar sob a graça não nos priva da justificação. E também não nos trará qualquer condenação" (Op. cit., p. 166).
"Deus não nos rejeita sempre que cometemos um erro ou pecamos. Se acreditamos que deixamos de ser justificados em Cristo sempre que pecamos, invalidamos completamente a verdade da justificação pela fé" (idem, p. 104).
A Escritura diz:
Sabendo que esse tal está pervertido
e peca, estando já em si mesmo condenado.
Tito 3:11
Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta. Tiago 5:9
Existem muitos outros erros que estão a ser ensinados
como sendo a preciosa verdade de Deus. Instamos com os nossos leitores para
que não somente pesquisem cuidadosamente o conselho inspirado dado neste
livro, como também os encorajamos a usarem algumas das claras afirmações
que a irmã White fez sobre a mensagem de Cristo, Justiça nossa.
Poderemos encontrar algumas dessas afirmações em Testemunhos para
Ministros, págs. 89-98; Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 255-405
e Mensagens Escolhidas, vol. 3, págs. 156-204.
Não irão encontrar nenhum dos falsos conceitos acima apresentados
nos escritos da irmã White. Se qualquer deles fosse importante para a
graça salvadora de Cristo, teriam sido objeto de um tratamento mais detalhado
por parte da mensageira do Senhor.
É trágico verificar que alguns de entre o povo de Deus, que foram
capazes de discernir os erros expressos nos ensinamentos de Desmond Ford, se
deixaram enredar(5) por estas
novas e mais sofisticadas mensagens da chamada nova teologia. Para aqueles que
pretendam ler uma apresentação mais pormenorizada dos erros avançados
pelo Pastor Jack Sequeira e pelo Comitê de Estudo de 1888, mencionamos
o livro O Dilema Evangélico, escrito pelos mesmos autores. Este livro
dá as respostas bíblicas aos erros apresentados. É um livro
que reconhece que, o que é apresentado por Sequeira e pelo Comitê
de Estudos de 1888, não esta baseado nos autênticos ensinamentos
adventistas, mas em teologias evangélicas e neo-calvinistas, que não
são apoiadas pela Palavra de Deus, nem pelo Espírito de Profecia.
Oramos para que esta geração de leitores, este livro seja tão
precioso em ajudar as pessoas a atravessarem os campos minados pelos erros de
Satanás, como o foi para a geração de há duas décadas.
Cada um de nós poderá manter-se firme no puro evangelho eterno
pelo qual, se formos fiéis, teremos a graça a salvadora de Cristo
e também os princípios pelos quais a Sua graça é
implantada nos nossos corações e mentes, de modo a estarmos prontos
para a próxima vinda de Cristo.
Encontramo-nos agora num momento da história desta terra em que necessitamos
do Evangelho e de um povo puro. Que Deus possa abençoar os leitores para
sua salvação eterna.
1. Concluído.
2. Que ou aquele que dificilmente toma uma resolução; indeciso.
3. Doutrina luterana de João Agrícola (1494-1566) que, em nome
da supremacia da fé e da graça divina, prega a indiferença
para com a lei; antinomismo).
4. Que pode trazer dano, prejuízo; desfavorável, nocivo, prejudicial.
5. Emaranhar-se.
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.