JESUS, O NOSSO EXEMPLO


As palavras do nosso Salvador são claras:

Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. João 13:15

É evidente que estas palavras foram pronunciadas em ligação com a humildade, mas, ao defendermos a posição onde diz que esta é a única área em que Cristo é o nosso Exemplo, estaremos a fazer uma leitura particularmente estreita das palavras de Deus.

Pedro, na sua bem conhecida afirmação, declara,

Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. 1 Pedro 2:21

Muitas vezes não procuramos examinar a natureza especifica do exemplo aqui referido, mas o versículo seguinte afasta toda a dúvida sobre este ponto.

Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. 1 Pedro 2:22

Jesus foi um exemplo de obediência. Muitos enfatizam corretamente a maravilhosa natureza substitutiva da vida e morte de Cristo, mas fazem-no para minimizar o aspecto do exemplo da Sua vida.
A Igreja do Advento ensina que Cristo deu a Sua vida perfeita para que o homem pecador e não merecedor pudesse ter vida eterna.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isaias 53:5

Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fossemos justificados pela Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. O Desejado de Todas as Nações, 23

Contudo, isto não deve limitar o ministério de Cristo, vende-o apenas como nosso Substituto, pois uma das grandes verdades eternas que se coloca relativamente ao sacrifício de Jesus é o Seu grande exemplo para aqueles que se encontram presos em motivações egoístas que destroem a paz e a satisfação que Cristo ofereceu a toda a humanidade. Contudo, existem provas cada vez maiores de que o novo adventismo minimiza grandemente o perfeito exemplo de Cristo, para o homem, através da Sua vida na terra.
Isto conduz invariavelmente ao falso conceito da Sua vida de substituição. Os que dizem que a obediência é impossível sugerem que a vida de perfeita obediência de Cristo substitui a nossa incapacidade para obedecer.
Deste modo, sugere-se que não nos é possível guardar o Santo Sábado, mas que poderemos aceitar a perfeita guarda do sábado conseguida por Cristo em substituição da nossa violação desse dia sagrado. Assim Deus, ao ver a guarda perfeita do sábado conseguida por Cristo, imputá-la-á à nossa vida.

Em nenhum lugar das Escrituras é feita tal afirmação. A Bíblia e o Espírito de Profecia ensinam que a vida de obediência de Cristo é, na realidade, um substituto para os nossos tempos de desobediência, mas nenhuma das duas fontes inspiradas declara que a vida perfeita de Cristo substituí a obediência que é requerida dos cristãos.
Este é um ponto importante e deve ser compreendido por aqueles que se deixaram enganar pela crença de que continuarão em pecado até a vinda de Cristo.

Paulo menciona o objetivo que Jesus estabeleceu para nós.

Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos. 2 Coríntios 4:10

Os que acreditam na mentira do diabo que declara que a obediência completa é impossível nesta vida, passam por alto o fato de que não existe qualquer apoio, quer na Bíblia, quer no Espírito de Profecia, para tal questão. Na realidade, tal como já vimos antes, João acrescenta o seu testemunho ao fato de nós devermos sempre olhar para Jesus como nosso exemplo.

Faremos bem em rever estas promessas preciosas.

E todo o que Nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro. 1 João 3:3

Filhinhos, ninguém vos engane: quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. 1 João 3:7

Aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou. 1 João 2:6

João refletia aqui sobre a grande declaração formal referente ao exemplo dado por Cristo no seu Sermão da Montanha,

Sede vós, pois, perfeitos, coma é perfeito o vosso Pai celestial. Mateus 5:48

Para aqueles que ainda acreditam que a vitória completa sobre o pecado não é uma condição essencial para a nossa salvação e que a vida de Cristo é substituto perfeito para falhanços(1) constantes, a irmã White dá o seguinte conselho:

Embora Cristo tivesse conseguido uma vitória sem preço a favor do homem, ao vencer as tentações de Satanás no deserto, esta vitória não será benéfica para o homem, a menos que ele também consiga vencer por si próprio.
No Deserto da Tentação, 77

Assim as virtudes substitutivas de Cristo não são apropriadas para aqueles que persistem em pecado. É preciso que os adventistas do 7º Dia compreendam esta verdade ou muitos continuarão a acreditar na promessa do diabo que diz que o pecado não afasta o indivíduo das promessas de vida eterna. A glória de Deus está em jogo no que se refere à vitória dos Seus filhos.
Muitos admitirão que Cristo é o nosso Exemplo do conduta e que embora nunca possamos obter uma vitória completa sobre o pecado, deveremos focalizar-nos neste ideal. A serva de Deus destrói tais conceitos quando diz;

Considerai a vida de Cristo. Sendo a cabeça da humanidade, servindo o Pai, é um exemplo do que cada filho deve e pode ser. Parábolas de Jesus, 282

Somos confrontados aqui com a verdade onde diz que Cristo não é somente o nosso exemplo no que se refere ao que deveremos ser; Ele é o nosso exemplo também no que se refere ao que poderemos ser quando imbuídos pelo Espírito Santo.
Sob esta luz, reexaminemos o comentário mais admirável tanto sobre a vida de Cristo como nosso exemplo, como sobre a mentira sempre dominante de Satanás.

O Filho Unigênito de Deus veio a nossa terra como homem, a fim de revelar ao mundo que a humanidade poderia cumprir a lei de Deus. Satanás o anjo caído, tinha declarado que nenhum homem poderia cumprir a lei de Deus após a desobediência de Adão. Mensagens Escolhidas Vol.3, 136

Quão claras se tornam às declarações de Deus, quando aceitamos a verdade positiva de que Cristo veio a terra com uma natureza humana. Quando tal for aceito como verdade preciosa, todas as desculpas para o pecado se desvanecerão e nós seremos atraídos para a Rocha, Jesus Cristo, que nos tornará semelhantes a Ele. Acreditar e ensinar algo diferente é retardar a vinda de Cristo, pois é-nos dito que;

Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus. Todo o cristão tem o privilégio, não só de esperar a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo, como também de apressá-la. Parábolas de Jesus, 69

Alguns procuraram tornar sem efeito a verdade bíblica que diz que devemos imitar o caráter de Cristo, ao dizerem que se tornaria numa moda aviltante(2) vermos andando por aí milhares de "pequenos cristãos". Tal zombaria apenas confirmará o zombeteiro na sua persistência em pecar. Nada irá mudar as verdades de Deus. Os amargos ataques são engendrados(3) por aqueles que escolheram acreditar em teorias de homens, em oposição as simples verdades das Palavras de Deus.
O não enfatizar de Cristo como nosso exemplo poderá ser o resultado de se questionar o poder de Deus em apresentar um povo que defenda completamente o seu caráter. Mas Deus não deixa qualquer duvida.

Perante nós se apresenta a maravilhosa possibilidade de sermos semelhantes a Cristo: obedientes a todos os princípios da lei de Deus. Mas de nós mesmos somos completamente impotentes para alcançar esse estado... A obediência do homem só pode ser aperfeiçoada pelo incenso da justiça de Cristo, o qual enche com a divina fragrância cada ato de obediência. Atos dos Apóstolos, 532

Cristo é tanto o nosso exemplo como o nosso poder. Assim,

O Salvador venceu a fim de mostrar ao homem o modo como ele poderia obedecer.
A Ciência do Bom Viver, 181


1. Ato ou efeito de falhar; derrota, fracasso.
2. Que desonra, que humilha.
3. Que se tirou do nada; criado; concebido na imaginação; inventado.
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.