AS VESTES DA JUSTIÇA
DE CRISTO |
A Bíblia é clara ao afirmar que ninguém entrará
no reino de Deus sem estar vestido com as vestes núpcias. O Rei dirá
aos que não as tiverem,
... Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. Mateus 22:13
É, por isso, obrigatório que nós saibamos o que são as vestes núpcias, uma vez que são uma condição essencial para a salvação. A irmã White se expressa em termos que não deixam lugar para dúvidas.
Pela veste nupcial da parábola é representado o caráter puro e imaculado, que os verdadeiros seguidores de Cristo possuirão. Foi dado a igreja 'que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente', sem mácula nem ruga, nem coisa semelhante'. O linho fino, diz a Escritura, 'é a justiça dos santos.' A justiça de Cristo, o Seu caráter imaculado, e, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal. Parábolas de Jesus, 310
Ao serem confrontados com este testemunho inquestionável que declara que as vestes devem incluir justiça comunicada, alguns afirmam que a irmã White não se mostrou muito técnica ao utilizar aqui o termo comunicada e que terá usado a palavra comunicada quando, na verdade, terá querido dizer imputada, pois estava a escrever para pessoas que não compreenderiam o temo imputada. O Dr. Ford afirma:
Por exemplo, no livro "Parábolas de Jesus"... ela nunca usa a palavra imputar porque se tratava de uma obra popular e que não se destinava a membros da igreja... e a única palavra que Ellen White utiliza é comunicar. Ela utiliza-a, não no sentido de infundir, mas no sentido de dar e, por isso, terá o mesmo significado que imputar (citado em “A terceira mensagem Angélica da justificação pela fé e a sua rejeição, p. 40, Lowell Scarbrough”).
Contudo, a irmã White não demonstrou qualquer falta de compreensão no que se relaciona com o significado preciso dos dois termos.
A justificação com que somos justificados é imputada; a justificação com que somos santificados é comunicada. A primeira é o nosso título para o céu, a segunda é a nossa aptidão para o céu. Mensagens aos Jovens, 35
O livro "Parábolas de Jesus" foi publicado em 1900 (Enciclopédia Adventista do 7° Dia, 1966), cinco anos após a declaração da Review & Herald. Mesmo que se diga que a irmã White não se mostrou muito técnica na utilização que fez do termo usado, depois de, em primeiro lugar, ter claramente distinguido e compreendido a diferença entre justiça imputada e comunicada, isto não poderia ser verdade, pois a declaração do livro "Parábolas de Jesus" não permitiria a substituição de "comunicada" por "imputada". A irmã White está a falar do,
... o caráter puro e imaculado que os verdadeiros seguidores de Cristo possuirão. Parábolas de Jesus, 310
O parágrafo seguinte declara,
A veste branca de inocência foi usada pelos nossos primeiros pais, quando foram postos por Deus no santo Éden. Viviam eles em perfeita conformidade com a vontade de Deus. Parábolas de Jesus, 310
A relação indivisível entre as vestes da justiça de Cristo e a obediência pessoal é evidente. Afirmará alguém que a justiça de Adão foi imputada?
A irmã White diz,
Em Sua humanidade, Cristo formou caráter perfeito, e oferece-nos esse caráter. Parábolas de Jesus, 311
Mas os argumentos do novo adventismo ruirão perante o fato que,
Por Sua obediência perfeita tornou possível a todo o homem obedecer aos mandamentos de Deus. Ao nos sujeitarmos a Cristo, o nosso coração une-se ao Seu, a nossa vontade imerge na Sua vontade, o nosso espírito torna-se um com o Seu espírito, os nossos pensamentos serão levados cativos a Ele; vivemos a Sua vida. Isto é o que significa estar trajado com as vestes da Sua justiça. Parábolas de Jesus, 312
Não existe possibilidade de se contradizer tal afirmação.
Obediência pessoal, santificação e justiça comunicada
- são estas as vestes da justiça de Cristo. A irmã White
não se mostrou descuidada; nem estava sequer confusa. O elo de consistência
da utilização é inegável.
Nos seus escritos, esta mesma explicação domina.
O vestuário branco é a justiça de Cristo que poderá ser inculcada no caráter. A pureza de coração e a pureza de motivos caracterizarão os que lavam as suas vestes e as tornam brancas no sangue do Cordeiro (Review and Herald, 24 Julho 1888, citado em 7BC 965).
A menos que confiem na justiça de Cristo como sua única segurança; a menos que imitem o Seu caráter, que cooperem com o Seu Espírito, os homens estarão nus e não se encontrarão vestidos com as vestes da Sua justiça. Review and Herald, 17 Jan. 1893, citado em 413C 1166 *
Outros, vendo a fragilidade da "Teoria do Descuido", recorreram a uma posição igualmente fútil. De acordo com esta teoria, as vestes núpcias representam somente a justificação, mas o colocar das vestes núpcias ou, por outras palavras, o vesti-las, representa a santificação. **
Existem dois fatores contra esta posição, Em primeiro lugar, o Espírito de Profecia nunca faz tal distinção. Por isso, não terá qualquer base de inspiração. Na verdade, a irmã White diz-nos que as vestes núpcias são o caráter que os santos possuirão.
Pela veste nupcial da parábola é representado o caráter puro e imaculado que os verdadeiros crentes seguidores de Cristo possuirão. Parábolas de Jesus, 310
Em Segundo lugar, mesmo que esta declaração fosse valida, não alteraria nada, pois a parábola indica que as vestes núpcias devem ser usadas a fim de que a salvação nos seja concedida. Deste modo, a santificação será igualmente uma condição necessária para a nossa salvação, quer aceitemos este novo ponto de vista, ou mantenhamos o que nos é apresentado pelo Espírito de Profecia.
Numa obra anterior, um dos autores declarou que,
As vestes da justiça de Cristo não são somente
imputadas. São também comunicadas (Dr. A. J. Clifford e Dr. R.
R. Standish, Conceitos em Conflito sobre a Justificação Pela fé
na Igreja Adventista do 7° Dia - Divisão Austral asiática,
p. 43).
Portanto, sabe-se que as vestes representam a justiça imputada e também a justiça comunicada. Foi feita uma busca posterior nos escritos da irmã White, a fim de se verificar este ponto de vista, pois nenhuma prova é citada no livro mencionado. Após intensa busca, que conduziu a inúmeras declarações onde confirmavam que as vestes representam a santificação, foram encontradas duas afirmações que verificam o fato de que todo o processo de salvação, no crente, esta aí incluído. Não existe qualquer dúvida. Mas o que é certo é que é dada certa ênfase a santificação, sem dúvida porque a santificação deve ser precedida pela justificação. Examinemos estas duas afirmações.
Perdão e justificação são uma e a mesma coisa... Assim, o homem, perdoado é vestido com as belas vestes da justiça de Cristo, permanece irrepreensível perante Deus. Fé e Obras, 103
Os seus (de Josué) pecados e
os do seu povo foram perdoados. Israel foi coberto com outras vestes - a justiça
de Cristo foi-lhe imputada.
Testemunhos (em inglês) Vol. 5, 469
A verdade de que as vestes representam tanto a justiça imputada como a justiça comunicada destrói completamente a noção popular de que as vestes da justiça de Cristo são colocadas sobre vestes sujas; ou seja, que poderemos declarar-nos justos aos olhos de Deus, continuando a ser carnais. E, claro, as Escrituras refutam forçosamente tal ponto de vista. Na parábola de Josué e do anjo é-nos dito,
Ora Josué, vestido de trajes sujos, estava em pé diante do anjo. Zacarias 3:3
Mas depois ocorre uma transformação gloriosa, pois o anjo diz,
... Tirai-lhe estes trajes sujos. Zacarias. 3:4
Para que não fiquemos com dúvidas relativamente a este gesto simbólico, o anjo continua,
Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de trajes festivos. Zacarias 3:4
É manifesto que as vestes da justiça de Cristo não se baseiam na desobediência. Nada favorece melhor os propósitos de Satanás nestes tempos que precedem o advento, do que o fato de os adventistas do 7° dia se mostrarem confusos quanto ao pensamento de que a salvação e uma vida de pecado são compatíveis. Quando reconhecermos o fato de que as vestes da justiça de Cristo imputam e comunicam justiça e que somente aqueles que possuem essas vestes verão o reino de Deus, o desejo de que Cristo nos limpe e regenere encherá a nossa alma.
* Per acaso, esta é uma frase interessante
para aqueles que questionavam o artigo denominado "Jesus, o Homem Modelo"
- 2° trimestre de 1977, uma vez que enfatiza o fato de devermos imitar o
caráter de
Cristo.
** Esta posição
foi expressa por Robert Brinsmead perante os Dr. John Clifford e Dr. Russell
Standish na casa deste ultimo. Melbourne, Vitória, Fevereiro de 1978.