AMOR, A CONDIÇÃO
NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO |
Uma vez que as boas obras não fazem parte dos fundamentos da salvação
do homem e, de modo nenhum, podem ser o mérito da sua salvação,
qual é o seu papel na vida do cristão? As boas obras provêem
as condições necessárias para a salvação.
A irmã White tornou isto bem claro, ao aconselhar o Pastor A. T. Jones
em 1893, quando ele se mostrou inclinado a apresentar um evangelho diferente.
Repetíeis varias vezes que as obras de nada
valiam que não havia condições. O assunto foi apresentado
de maneira que, sei, os espíritos seriam confundidos, não recebendo
a correta impressão quanto à fé e as obras, e resolvi
escrever-vos. Afirmais esta questão com vigor exagerado. Há
condições para recebermos justificação e santificação,
e a justiça de Cristo. Sei o que quereis dizer, mas deixais uma impressão
errada nos espíritos. Conquanto as obras não salvem alma alguma,
é impossível que uma única alma se salve sem as boas
obras.
Mensagens Escolhidas Vol.1,
377
Este é o paradoxo divino. Mas tal como todos os mistérios
bíblicos, está baseado na sabedoria, confiança e conhecimento
infinitos de Deus.
Gerações de cristãos tem afirmado que a salvação
está assegurada para aqueles que amam a Deus de todo o coração.
Esta verdade é inegável. A Bíblia declara que o amor é
a condição necessária para a salvação.
Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1:12
Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Tiago 2:5
Mas, como está escrito: As coisas
que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração
do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.
1 Coríntios 2:9
A Bíblia não ensina que a salvação
é incondicional. Na realidade, Cristo ensinou através da parábola
da pérola de grande valor que, possuir Cristo, paradoxalmente(1),
e receber uma oferta pela qual damos tudo o que temos.
Por isso, dizer que,
Não poderemos fazer mais nada senão aceitar o presente com gratidão (Gillian Ford, The Soteriological Implications of the human nature of Christ, p. 5).
é algo que não está de acordo com o testemunho
da Palavra de Deus. Devemos amar Cristo completamente, ou não seremos
salvos.
Alguns cristãos, ao aceitarem o fato de terem que amar a Cristo, não
compreenderam totalmente o que esse amor realmente significa. Deste modo, eles
experimentaram uma ligação sentimental para com o seu Salvador,
acreditando que uma vida que não se encontre em conformidade com o Seu
exemplo ainda está compatível com a condição necessária
do amor. Nenhum conceito é mais enganador e potencialmente mais prejudicial
do que este para a esperança abençoada do cristão. Examinemos
outras condições necessárias a salvação,
tal como apresentadas nas Escrituras, a fim de explorarmos o significado real
deste amor por Cristo, que é o cumprimento da grande condição.
No texto de Paulo, citado anteriormente, ele cita as palavras de Isaias. Este
texto, na realidade, estabelece uma outra condição, que é
sinônima de amor.
Deste modo, para se amar verdadeiramente a Cristo, e preciso esperar-se diligentemente a volta de Cristo. Paulo declara isto mesmo.
A nossa entrega a Cristo não pressupõe somente um desejo de ver o Senhor. Não se poderá dizer de um homem que ele ama verdadeiramente a Cristo, a menos que acredite Nele de todo o coração, assim como na sua Vida. Amor, sem uma crença verdadeira, não é, de todo, amor. Por isso, a crença é também uma condição necessária para a salvação.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito(2), para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3: 16
Responderam eles: Ore no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31
Para, além disso, nenhum homem cumprirá esta grande condição a menos que tema (reverencie) a Deus. Por isso, as primeiras palavras da última mensagem de Deus para este mundo moribundo são,
Talvez nenhum capítulo das Escrituras explore tão vividamente esta condição como o faz o Salmo mais tocante de Davi – o 103. Examinemos três dos seus versículos.
Pois quando o céu está elevado acima da terra, assim é para com os que o temem. Salmo 103:11
Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Salmo 103:13
1 - Andar como Jesus andou.
2 - Servir Jesus de todo o coração.
Muitos cristãos aceitam alegremente uma ou outra das
condições tal como apresentadas nas Escrituras, mas uma percepção
limitada sobre o que tudo significa faz com que encontrem desculpas para não
cumprirem as outras condições. Na realidade, uma condição
em especial e ignorada pela maioria dos cristãos - a obediência
aos mandamentos de Deus.
Os escritos da irmã White estão repletos de esclarecimentos sobre
este assunto.
São atraídos pela beleza de Cristo e a gloria do Céu muitos que ainda recuam em face das condições indispensáveis a que as venham a possuir.... Renunciar a sua própria vontade, as suas predileções(3), aos seus empreendimentos, exige um sacrifício diante do qual hesitam, vacilam e tornam atrás. O Maior Discurso de Cristo, 143
As condições da vida eterna são hoje as mesmas que eram no paraíso, antes da queda dos nossos primeiros pais: uma obediência perfeita a lei, uma justiça perfeita. Se a vida eterna fosse concedida sob quaisquer outras condições, correria perigo a felicidade do mundo inteiro. Caminha a Cristo, 62
A norma de caráter apresentada no Velho Testamento é a mesma apresentada no Novo. Esta norma não é de molde a não podermos atingi-la. Em toda a ordem ou mandamento dado por Deus, há uma promessa, a mais positiva, a fundamentá-la. Deus tomou as providências para que possamos nos tornar semelhante a Ele, e cumpri-las-á para todos quantos não interpuserem uma vontade perversa, frustrando assim a Sua graça. O Maior Discurso de Cristo, 76
As condições necessárias para a salvação são sempre as mesmas. A vida, vida eterna é para todos os que obedecerem à lei de Deus... Sob o novo concerto, as condições pelas quais a vida eterna pode ser conseguida são as mesmas que regiam o velho concerto - obediência perfeita. Maravilhosa Graça – MM 1974, 134
No novo nascimento o coração é posto em harmonia com Deus. Quando se coloca em conformidade com a Sua lei. Quando esta poderosa transformação se efetua no pecador, passou ele da morte para a vida, do pecado para a santidade, da transgressão e rebelião para a obediência e lealdade. Maravilhosa Graça – MM 1974, 18
Quando novos, descíamos nós a rua principal da nossa cidade natal
- Newcastle, Austrália - quando nos deparamos com um grupo de pessoas
muito zelosas que pregava na esquina da rua. Estas pessoas apelidavam-se de
Pescadores do Evangelho e eram um grupo de irmãos de Plymouth. O tema
sobre o qual o orador discorria era a grande promessa,
crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31
O pregador incitava varias vezes: "Acreditai apenas!" Ninguém
duvidará de que isto é verdadeiro, pois as Escrituras certamente
estabelecem tal fato como uma condição para a salvação.
Após algum tempo, um dos assistentes veio até ao local onde
nos encontrávamos e começou a falar conosco. Logo ficou, a saber,
que éramos adventistas do 7° dia e imediatamente se deu inicio
a uma discussão sobre a incapacidade de o homem, mesmo que regenerado,
obedecer aos mandamentos. Como é evidente, negamos tal posição.
Um de nós acabou por lhe perguntar se ele esperava vir a ser um dos
santos. "Esperar vir a ser!?" replicou ele, "eu sou santo".
Então, mostramos-lhe Apocalipse 14:12 que declara que a principal característica
dos santos é a obediência. Este texto enfureceu o evangelista
e ele afastou-se com as palavras: "Bom, guardem lá o sábado
e vão para o inferno!”.
Quando se deu este episódio, há mais de três décadas,
nunca sonhamos que alguma vez seria preciso defender tal posição
dentro da própria igreja de Deus. Dificilmente seria possível
encontrar adventistas do 7° dia que negassem a possibilidade de obediência
completa.
Foi o próprio Jesus que disse,
Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. João
14:15
Não cumpriremos a grande condição de Deus para a nossa salvação, a menos que seja um tal amor que esteja na origem da nossa obediência a lei de Deus. Deste modo, quando Cristo apresentou a grande condição ao jovem rico, Ele apenas lhe estava a pedir que O amasse de todo o coração.
Tem sido apresentada uma interpretação deste
texto que, em nada, faz justiça ao seu significado. Esta escola de pensamento
sugere que Jesus apresenta a este homem um objetivo inatingível, a fim
de torná-lo totalmente dependente de Cristo, no que se refere a salvação.
Tal interpretação violenta as Escrituras. É evidente que
não se pode negar que Cristo procurou destruir a confiança que
este homem tinha em si próprio, apontando para Ele mesmo como a sua única
esperança de salvação. Contudo, ao incitá-lo a obediência.
Cristo estava, na realidade, a oferecer-lhe, se ele apenas renunciasse totalmente
ao eu. Sugerir que Cristo esperava que este homem continuasse a pecar, seria
negar a possibilidade de se poder confiar completamente em Cristo. Todo este
conceito nem é lógico, nem tem qualquer apoio escriturístico.
Aceitar tal premissa(4), seria negar a
possibilidade de cumprirmos a grande condição pelo poder de Cristo
habitando em nós. Se não podemos guardar os mandamentos então,
pelo testemunho de João 14:15, não poderemos amar a Cristo.
Obediência a lei e amor a Cristo são termos sinônimos. Obedecer
significa amar e amar significa obedecer. No entanto, quantos proclamam o amor
sem a obediência! Alguns declaram: "Bom, nos não podemos obedecer.
O que devemos fazer e servir Jesus de todo o coração". Tais
pessoas não entendem que servir a Cristo e obedecer-lhe.
É obvio que um relacionamento com Jesus implica uma vida de amor e obediência. Certamente que esta passagem também nos assegura que, ao percorrermos os mesmos caminhos que Jesus percorreu, estaremos a viver uma vida de obediência cheia pelo Espírito Santo. O mesmo acontece com os que temem a Deus.
O cavalheiro que, há trinta anos em Newcastle, nos incitou a "apenas acreditarmos", enquanto negava que tal crença envolve também a obediência, estava a propôr-nos uma crença falsa. É perfeitamente claro que tal contrafação(5) existe, pois as Escrituras dizem-nos,
Uma vez que os demônios não têm qualquer esperança de salvação, deve haver uma forma de crença que não garanta a salvação. O Senhor não nos deixou qualquer dúvida quanto a natureza da crença que satisfaz a condição necessária a nossa salvação.
Assim, Deus testifica que só existe uma crença verdadeira - quando existe amor a Deus, cumprimento dos mandamentos e submissão. Todas estas palavras são sinônimas. Qualquer crença que negue estas qualidades é uma contrafação. Deste modo,
Por isso, a guarda dos mandamentos, embora não seja a base da salvação, é uma das condições para se obter a salvação. E, portanto, regressamos ao amor, a grande condição. De igual modo, poderemos dizer que a obediência é a grande condição que nos qualificara para o céu, pois obediência e amor são sinônimos. Estas duas condições são constantemente enfatizadas nas Escrituras. Elas estão mesmo inscritas no próprio Decálogo como grandes condições. No segundo mandamento, Deus promete,
Ninguém que acredite na perpetuidade da lei, poderá
negar a possibilidade de a obediência completa e o amor total a Deus serem
as grandes condições para a nossa qualificação para
o céu. Negar ambas é não se compreender a preciosa misericórdia
de Deus e tornar ineficiente o Seu sacrifício por nós no calvário.
O calvário provê tanto o perdão para os pecadores arrependidos,
como o poder para vivermos uma vida vitoriosa.
No livro de Deuteronômio, estas duas grandes condições foram
apresentadas varias vezes ao Israel literal. Citamos um exemplo a seguir,
Quando Josué falou ao povo de Deus, ele apresentou vários aspectos desta grande condição. Estes requisitos deverão ser observados tanto pelo Israel espiritual, como o deveriam ter sido pelo Israel literal.
Tão-somente tende cuidado de guardar com diligencia o mandamento e a lei que Moises, servo do Senhor, vos ordenou: que ameis ao Senhor vosso Deus, andeis em todos os seus caminhos, guardeis os seus mandamentos, e vos apegueis a ele e o sirvais com todo o vosso coração e com toda a vossa alma. Josué 22:5
Deus, no seu imensurável(6)
amor por nós, não nos deixou na dúvida quanto aos seus
requisitos. O plano da redenção é simples. Nós
pecamos e o salário do pecado é a morte. Nada poderemos fazer,
após cometermos qualquer pecado, que mereça a salvação
ou, de alguma maneira, contribua para ela. Se o amor de Deus não nos
tivesse concedido o seu Filho como nosso Substituto, não teríamos
qualquer esperança, independentemente da qualidade da nossa vida a
seguir a esse primeiro pecado. Mas Deus tornou a salvação acessível
a todos, através dos méritos de Cristo. Contudo, existem certas
condições para que obtenhamos a salvação através
do poder de Cristo habitando nas nossas vidas. Embora elas não tenham
qualquer base ou mérito para a salvação do homem, ninguém
poderá ser salvo sem elas.
E o amor é este: que andemos segundo os seus
mandamentos... 2 João 6
Deus também nos ajuda a cumprir esta condição.
Sem o Seu poder, nós não poderemos servi-Lo, nem obedecer-Lhe.
Assim, não somente todo o mérito concernente a nossa salvação
é Seu, como também o poder que nos habilita a cumprir a grande
condição. Deste modo, no grande conflito, Jesus não só
demonstra o Seu infinito amor pelo universo através da Sua morte, mas
também concede poder divino que prova que o homem, unido à divindade,
pode cumprir todos os preceitos de Deus.
Embora estas condições não ofereçam qualquer mérito
ou base para a nossa salvação, elas excluir-nos-ão do reino
se não as cumprirmos.
O cumprimento destas condições na terra é um testemunho sagrado relativamente ao poder salvador da vida perfeita que o Salvador vive na experiência de cada filho e filha de Deus.
1. Conceito que é ou parece contrário ao senso comum.
2. Único gerado, filho único.
3. preferência acentuada por alguém ou alguma coisa; escolha, propensão,
inclinação.
4. Ponto ou idéia de que se parte para armar um raciocínio.
5. Obra, objeto, assinatura etc. reproduzida ou imitada fraudulentamente;falsificação.
6. Que não pode ser medido.
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.