17. A MÚSICA DA PLANÍCIE DE DURA  (+- 600 aC)

 

a. TEXTO BÍBLICO: Daniel 3:4-7

4 Então o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós, ó povos,  nações e gente de todas as línguas: 5 Quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e todas a sorte de música, vos prostrareis, e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou. 6 Qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora  lançado  na  fornalha  de  fogo  ardente.   7 Portanto,  no mesmo instante  em que todos os povos ouviram o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério e todas a sorte de música, prostraram-se todos os povos, nações e línguas, e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado.

 

b. TEXTO ESPÍRITO PROFÉTICO: Profetas e Reis Cap. 41 “A Fornalha Ardente” págs. 505-506

Das ricas reservas do seu tesouro, Nabucodonosor mandou que se fizesse uma grande imagem de ouro, no seu aspecto geral semelhante a que tinha sido vista em visão, salvo no que respeitava  ao material  de que ia ser composta.   Acostumados  como estavam  a magnificentes representações de suas divindades pagãs, os caldeus nunca dantes haviam produzido coisa mais imponente e majestosa que esta resplendente estátua, de sessenta côvados de altura, e seis de largura.

E não é de surpreender que numa terra onde a idolatria era culto prevalecentemente universal, a imagem bela e sem preço erguida no campo de Dura, representando a glória de Babilônia e sua magnificência e poder, fosse consagrada como objeto de adoração. Em plena concordância com isto foi feita provisão, tendo sido expedido um decreto de que no dia da dedicação todos mostrassem sua suprema lealdade ao poder babilônico curvando-se diante da imagem. “O dia marcado chegou, e uma vasta multidão de todos os "povos, nações e línguas", se reuniu na planície de Dura. Em harmonia com o mandado do rei, quando o som de músicas foi ouvido, todos se prostraram, "e adoraram a estátua de ouro". Nesse dia memorável, os poderes das trevas pareciam haver ganhado um assinalado triunfo; a adoração da imagem de ouro prometia tornar-se permanentemente relacionada com as formas estabelecidas de idolatria reconhecidas como religião do Estado no país. Satanás esperava dessa forma derrotar os propósitos de Deus de tornar a presença do cativo Israel em Babilônia um meio de abençoar a todas as nações do paganismo.

Mas Deus decidiu de outro modo. Nem todos haviam dobrado os joelhos ante o símbolo idólatra do humano poder. Em meio da multidão de adoradores havia três homens que estavam firmemente resolvidos a não desonrar assim ao Deus do Céu. O seu Deus era o Rei dos reis e Senhor dos senhores; a nenhum outro se curvariam.

 

c. VÍDEO( World Music): “WE ARE THE WORLD” de Michael Jackson e Lionel Richie com produção e condução de Quincy Jones

 

d. Artigo revista EXAME - Setembro 2000

ARTIGO:  Vai Custar Caro

A cultura globalizada tem um preço oculto:  ‘A ameaça do fundamentalismo’

Por Jeremy Rifkin

(Economista americano , autor de O Século da Biotecnologia e a Era do Acesso)

As grandes mudanças na História, que transfor­mam de fato nossa ma­neira de pensar e agir, vão se infiltrando na sociedade até o dia em que tudo o que sabemos fica ultra­passado, e nós nos damos conta de que estamos num mundo novo. Só no final do século 19, por exemplo, o his­toriador britânico Arnold Toynbee cu­nhou o termo “Era Industrial”. Ou se­já, aproximadamente 100 anos depois de sua chegada à cena mundial.

Assim também, durante a maior parte do século 20, uma nova forma de capitalismo foi sendo lentamente gerada e só agora parece na iminência de se sobrepor ao capitalismo indus­trial. Depois de passarmos centenas de anos nos apropriando de recursos físicos, estamos pouco a pouco trans­formando os recursos culturais em ex­periências pessoais e em entreteni­mento pelos quais temos de pagar. Es­tamos entrando na “Era do Acesso”, uma época em que a transformação do tempo humano em commodity toma-se mais importante do que as commo­dities materiais. Mega empresas como a AOL-Time Warner, Disney, Viacom e Sony não são apenas companhias de mídia. Elas são árbitros globais de acesso a um vasto arsenal de experiências culturais, das quais fazem   parte   viagens    interna­cionais  e   turismo,   cidades  e   parques   te­máticos,   centros  de entretenimento, moda e culinária, esportes e jogos profissionais, música, filmes, televisão, li­vros e revistas e até causas sociais.

As empresas transnacionais de mí­dia, com redes de comunicação que cobrem todo o globo, estão extraindo recursos culturais locais do mundo in­teiro e os reformulando como commo­dities culturais pagas. E um quinto dos habitantes do mundo, a parcela mais abastada da população, busca expe­riências culturais consumindo uma fa­tia de renda quase do mesmo tamanho da gasta com bens manufaturados e serviços básicos.

Estamos fazendo a transição para o que os economistas chamam de “eco­nomia da experiência”, um mundo on­de a vida das pessoas se torna um objeto para o mercado comercial.

Nos círculos empresariais, o novo termo em uso é o “valor do tempo de vida do cliente” (medida teórica que determi­na quanto valeria um ser humano se cada momento de sua vida fosse trans­formado em um ou outro tipo de com­modity na esfera comercial).

 

Biodiversidade cultural

 

O processo de homogeneização re­flete-se na extinção de muitas das lín­guas do mundo. Elas são substituídas pelo inglês, o porta-voz do novo co­mércio cultural. Existem hoje 6 000 idiomas vivos no mundo, mas pouco mais de 300 são falados por mais de 1 milhão de pessoas. Estima-se que aproximadamente metade dessas lín­guas desaparecerá no final do século 21. Enquanto isso, o inglês, a língua mais usada no cinema e na TV, assim como na Internet, está em plena as­censão. Mais de 20% da população mundial já fala inglês. Daqui a 100 anos, ele estará muito provavelmente por toda parte.

“Quando se perde um idioma, é co­mo se uma bomba fosse atirada sobre o Louvre”, diz Ken Hale, do Massa­chusetts Institute of Technology. Isso porque a língua comunica significa­dos, expressões. valores e interpreta­ções de uma cultura.

Na era industrial, o conflito geo­político centrava-se na questão do controle dos recursos naturais e da mão-de-obra. Na nova era, a luta geo­política se dá, cada vez mais, no cam­po do acesso à cultura local e global e dos canais de comunicação que transportam o conteúdo cultural sob a forma comercial.

A produção  cultural  repousa  sobre os  recursos brutos  da cultura  da  mes­ma  forma que a produção industrial se assenta sobre os recursos brutos da natureza. Ambas as formas de produ­ção são de caráter extrativo. A cultu­ra, a exemplo da natureza, pode ser explorada até a exaustão. Se desper­diçada, o mercado pode perder a ga­linha dos ovos de ouro.  A diversidade cultural, portanto, assemelha-se  à biodiversidade. 

O novo gênero de música mundial (world music) é um bom exemplo disso. Hoje, mais de 80% dos 40 bilhões de dólares da indústria fonográfica es­tão sob o controle de seis empre­sas transnacionais: Sony (Japão), Polygram (Holanda), Warner (Estados Unidos), BMG (Alemanha), Thom­EMI (Inglaterra) e MCA (Japão). Agora, as gravadoras estão à procura de formas musicais nativas que pos­sam ser modernizadas por meio de amplificação elétrica e de sintetizado­res. Muitas vezes, a música nativa é combinada com outra mais contempo­rânea para criar o que a indústria cha­ma de fusion. A World music vem crescendo ininterruptamente nos últi­mos dez anos.

Em sua roupagem nativa, grande parte dessa música representa uma forma de capital cultural, um veículo para a comunicação de valores e lega­dos históricos de um povo. Mas, quan­do é apropriada, formatada, transfor­mada em commodity e vendida sob a forma de world music, sua mensagem se dilui ou se perde.

Veja o exemplo da salsa. Trata-se de um gênero musical que emergiu nos centros urbanos empobrecidos de Cuba e de Porto Rico. Falava originalmente da dura realidade da vida nos bairros e do orgulho da solidariedade latina. Pois bem. Segundo críticos, a salsa transformou-se numa mistura açucarada e sentimental para tomar-se mais palatável e entreter o público do Primeiro Mundo.